O que costuma funcionar, segundo a evidência
Existe um método estudado há décadas para famílias de pessoas que ainda não aceitaram tratamento, chamado CRAFT. Os ensaios clínicos dele mostram que a maioria das famílias treinadas consegue, com o tempo, que a pessoa aceite buscar ajuda. Os princípios centrais, em linguagem simples:
- Momentos de abertura existem, e são a hora de agir. Depois de uma crise, de um susto ou de uma conversa boa, a disposição para aceitar ajuda aumenta. Ter o endereço e o horário do serviço já pesquisados (é para isso que este site existe) permite agir na hora certa.
- Reforçar o positivo funciona melhor que punir o negativo. Valorizar os momentos sóbrios e as pequenas iniciativas tende a aproximar; sermão e humilhação tendem a afastar.
- Ultimato raramente funciona; convite específico funciona mais. "Você precisa se internar" costuma travar a conversa. "Encontrei um lugar gratuito perto de casa, vamos lá só conhecer, eu vou junto" abre porta.
- Consequências naturais podem acontecer. Proteger a pessoa de toda consequência do uso, pagando dívidas ou inventando desculpas por ela, costuma adiar a decisão de buscar ajuda.
- A segurança vem primeiro. Em situação de violência ou risco, a prioridade é proteger quem está vulnerável. Em emergência, 192. Em violência, 190.
Nenhuma técnica garante resultado, e a recusa de hoje não é a resposta definitiva. Enquanto a pessoa não aceita, a família pode se fortalecer, e isso muda o jogo mais do que parece.
Apoio para a própria família (gratuito, como tudo aqui)
Existem grupos onde familiares de dependentes se apoiam mutuamente. Neles, quem chega encontra gente que passou pelo mesmo e aprendeu caminhos. São gratuitos e não exigem inscrição:
- Al-Anon para familiares e amigos de pessoas com problema com álcool. Mais de 300 grupos no país.
- Nar-Anon para familiares e amigos de pessoas com problema com outras drogas.
- Amor Exigente grupos de orientação familiar presentes em todo o Brasil desde 1984.
O CAPS também atende a família: dá para ir lá mesmo sem a pessoa que usa, conversar com a equipe e receber orientação para o seu caso. Muitos têm grupos de familiares.
Pretendemos mapear os grupos de familiares com endereço e horário, como fazemos com o NA. Por enquanto, os links acima levam aos diretórios oficiais.
Cuidar de quem cuida não é egoísmo
Conviver com a dependência de alguém querido esgota. Dormir mal, adoecer e se isolar não ajuda ninguém, nem você, nem a pessoa. Os grupos acima existem exatamente para isso, e o CVV (188) também atende familiares, 24 horas, de graça.